Andrielle Mendes - Repórter
Os
potiguares vão ter que desembolsar um pouco mais na hora de comprar
remédios. O preço vai subir até 5,85% a partir de 31 de março. Ao todo,
22.622 medicamentos serão reajustados, para mais ou para menos. O
reajuste, autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de
Medicamentos (CMED), órgão formado por vários Ministérios e vinculado ao
governo federal, e publicado ontem no Diário Oficial da União, vale
para todo o país. O aumento, entretanto, não será o mesmo para todos os
terapêuticos, divididos em três categorias. O reajuste para a
categoria com maior participação de genéricos (20% ou mais do
faturamento), por exemplo, será de 5,85%. Para a categoria com
participação entre 15 e 20% será de 2,8%. Já para categoria com menor
participação dos genéricos o reajuste será de -0,25%. Ao invés de subir,
o preço vai cair. Mais da metade dos medicamentos (55,2%), de acordo
com tabela do Ministério da Saúde, subirão 5,85%. Eles estão enquadrados
no nível 1, o que prevê maior reajuste.
Aldair Dantas
Ao todo,
22.622 medicamentos serão reajustados. Mais da metade deles terá aumento
de 5,85 por cento.
As empresas que quiserem reajustar o preço
devem apresentar um relatório de comercialização à Cmed. Quem
ultrapassar o teto autorizado pode ser multado. O reajuste médio,
considerando as três faixas, é de 2,81%, o menor desde 2008.
Em
nota, o Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos de São Paulo
afirmou que o reajuste negativo de 0,25% para alguns medicamentos
preocupa, devido a pressões de custo como frete, eletricidade,
embalagens e insumos. A reportagem tentou contato com o Sindicato das
Farmácias do RN para saber o impacto do novo reajuste no estado, mas não
obteve êxito. Previsto em lei (10.742/2003), o reajuste vai durar um
ano. O próximo só pode ocorrer em março de 2013. O índice de 5,85%
considerou a variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do
IBGE, nos últimos doze meses.
Quem vai a farmácia com
frequência não gostou da novidade. A professora Silvana Oliveira, 50
anos, que compra medicamento todos os meses para controlar a pressão e
as 'taxas', reclamou do novo reajuste. "É um absurdo", protestou. Antes
de levar algum medicamento para casa, Silvana passa em duas, três
farmácias diferentes. Mas a estratégia não tem surtido muito efeito.
"Está caro em todo lugar", diz. Até quem compra esporadicamente, como a
técnica em enfermagem Ana Cristina Bezerra, 48, reclamou. "Qualquer
reajuste, por menor que seja, faz diferença".
Nas farmácias,
muitos funcionários souberam do reajuste através da imprensa. A rede
para a qual a farmacêutica Milena Thaisa de Araújo trabalha, por
exemplo, ainda não repassou informações referentes ao aumento. "Os
preços são alterados no próprio sistema pelo escritório central sem que
seja necessária nossa intervenção", explica Milena.
O Conselho
Regional de Farmácia do RN, que emitiu nota no final do dia, considera
positiva a redução em 0,25% de 8.840 medicamentos. No entanto, acredita
que o reajuste dos outros medicamentos - mesmo abaixo da inflação -
dificultará o acesso de uma camada da população aos medicamentos. Maria
Célia Aguiar, presidente do CRF/RN, destaca que os programas
governamentais, embora mais ostensivos, ainda são insuficientes. Para
ela, "qualquer aumento amplia a já generosa margem de lucro dos
laboratórios e sobrecarrega a renda das famílias brasileiras".